secretos corações
- E se eu te dissesse? Continuarias aqui? – Perguntas-me.
- Eu sei já. Passei a mão sobre os teus pensamentos quando te afaguei. Senti um calor ardente entre os meus dedos e soube.
Nervosamente, devolves: – E o que sentes?
- É desconcertante. Tão intenso e belo como a descoberta de uma obra-prima. Porque me amas assim?
- Foi o teu amor que me perseguiu. Nunca quis ser tomada assim. Esvazia-me, preenche-me e respira por mim, este amor. É um outro ser que sou. Hmmm. Tem piada…
Piada? – Pergunto-te, desconcertado.
- Sim. – afirmas, determinada. E sorris. O mais belo e irresistível sorriso. – Sou duas em vez de uma. São duas as vezes que te amo. Infinita a minha sede de ti.
Ganho coragem… – E se eu te disser?
- Tu? Não brinques, por favor. Já sentiste como os meus pensamentos ardem.
- Nunca soube que me trarias a mim próprio. Fizeste-o quando me levaste para dentro de ti.
- Como? Não percebo. Mas…
- Schiuu. Sossega. Não entendes? Na verdade, não és duas. És nós os dois. Eu e tu. O meu milagre pessoal. Amo-te.
Obrigado. Obrigado, meu tão amor, por me salvares de mim.
Como é secreto mas fulgente o nosso amar. Feliz Natal, meu beijo.